A Rede Parabolinóica de Arte e Loucura surge a partir de uma série de oficinas de comunicação comunitária realizadas pela Associação Imagem Comunitária (AIC), no ano 2000, em centros de convivência para pessoas com sofrimento mental. Durante as atividades, artistas e atores culturais ligados a tais centros se encontraram e criaram vínculos. Estabelecia-se ali uma Rede que ressignificaria a palavra “louco”, retirando-a do jargão psiquiátrico e colocando-a no contexto da arte – afinal, a arte é “louca”, por constituir lugares de experimentação, atrevimento e pluralidades.
As primeiras atividades envolveram a realização de programas radiofônicos nas emissoras comunitárias e educativas Favela FM e Santê FM. Em seguida, o grupo produziu dois vídeos - Rede Parabolinóica, em 2000, e Alas da Liberdade, em 2001. Também no ano 2001, no Centro de Convivência Carlos Prates, localizado na Regional Noroeste de Belo Horizonte, um dos integrantes da Rede mobilizou um grupo para produzir o jornal impresso Vivência, que contava com cerca de 300 leitores por mês. Durante o Encontro Nacional da Luta Antimanicomial, que aconteceu em um hotel fazenda na cidade de Miguel Pereira – RJ, a Rede Parabolinóica produziu programas de “rádio poste”, utilizando o sistema de comunicação interna do local.
Em 2002, o Encontro Nacional da Luta Antimanicomial aconteceu em Belo Horizonte. Na ocasião, a Rede Parabolinóica produziu uma mostra cultural que contava com a exibição de vídeos, realização de palestras e instalação de uma videocabine. Por dois anos consecutivos, 2002 e 2003, a Parabolinóica participou do Fórum Social Mundial – proferiu palestras, exibiu vídeos e apresentou programas de “rádio poste” no sistema de alto-falantes do acampamento da juventude.
Em 2003, a Rede propôs a ocupação do centro da capital pela loucura, quando realizou a Mostra Parabolinóica Cultural no Centro Cultural UFMG. Ocorrida durante a Semana Nacional de Luta Antimanicomial, a mostra conglomerou artes plásticas, fotografia, poesia sonora e vídeo. Ainda nesse ano, 10 integrantes da Parabolinóica enviaram produções para a Mostra Nas Asas da Loucura, organizada pela TV Pinel, que aconteceu no Rio de Janeiro. Houve, ainda, a proposição de realização, em parceria com a TV comunitária, de um documentário sobre a obra e vida do poeta e louco carioca Joe Romano. Integrantes da Parabolinóica estiveram no Rio, trabalhando, auxiliados pela TV Pinel, no levantamento de contatos de pessoas que conviveram com o artista, de terapeutas que o acompanharam e locais que ele frequentava.
Atualmente, o grupo de estudos, que existe desde 2002, se ocupa da formação de agentes culturais para a produção de videodocumentários. Diversas personalidades formadoras de opinião foram convidadas a discutir a arte como possibilidade de construção de um novo olhar sobre a loucura, tendo seus depoimentos registrados em áudio ou vídeo. São figuras públicas como o presidente Lula, o ministro Gilberto Gil, a ministra Benedita da Silva, o artista Arthur Omar, o cineasta Eduardo Coutinho e o músico Paulinho da Viola.
Ao longo de sua história, a Rede Parabolinóica de Arte e Loucura, busca a interlocução de sua loucura com uma sociedade cuja alienação é a pequena atenção a pessoas que tem tanto a dizer. O caminho para esta interlocução: a comunicação pela arte, louca ao extrapolar os limites do estabelecido para subverter, reinventar e recriar a cultura.