Contexto

Ainda existe um descompasso entre o discurso da Reforma Psiquiátrica e a prática efetiva do cotidiano dos serviços de saúde mental no país. Ainda há muito o que se avançar no tocante à participação dos usuários na discussão da Reforma e na gestão dos projetos implantados pelos serviços de saúde mental. As atividades da Parabolinóica, ao construírem um espaço de interlocução dos usuários desses serviços entre si e com a sociedade, preveem uma discussão da Reforma e de sua aplicação à prática por parte dos mais envolvidos: as pessoas com experiência psiquiátrica.

As diversas mídas contempladas pelas ações da Rede, além de potencializarem o alcance da discussão aos mais variados setores da sociedade, permitem a coexistência de um debate horizontal, rico na multiplicidade de idéias e na liberdade de voz e expressão. A discussão da Reforma e sua adequação ao cotidiano ganha materialidade, ultrapassando o espaço dos serviços de saúde mental e ganhando o espaço público.

Geralmente, enxerga-se o usuário como se ele fosse alienado e não tivesse discernimento e capacidade de articulação coletiva. A arte e a expressão presentes nas ações comunicacionais da Parabolinóica vêm com o objetivo de modificar essa imagem, colocando esse usuário em um lugar justo de proposição e debate.

O lugar da arte nas práticas de saúde mental também é discutido: na prática, ainda há muita tutela, sendo a arte geralmente vista como um recurso de “terapia ocupacional” e “cura”. Em todas as ações, a Parabolinóica procura repensar o espaço da arte como “louca” por natureza, ao transgredir todas as regras e transformar o cotidiano. A arte, dessa forma, constitui a oportunidade para a expressão daquilo que há de mais subjetivo, individual e autônomo nos indivíduos com sofrimento mental. Por conseguinte, é um dos meios para que esses indivíduos tenham voz no mundo e possam apresentar seus pontos de vista na luta pela contrução de novas representações e novos lugares para os loucos e a loucura.